Desnutrição oculta na terceira idade

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“Desnutrição é todo desvio da nutrição normal, tanto para menos, subnutrição, como para excesso, hipernutrição”

Ao longo dos anos, a desnutrição tem merecido destaque como causa relevante de doença e morte, manifestada principalmente em crianças de países em desenvolvimento. No entanto, o papel da desnutrição como causa de morte na população idosa, tem sido pouco considerada nos estudos brasileiros.

No idoso, o risco da subnutrição é motivo de grande preocupação para os profissionais da saúde, uma vez que, diversos fatores facilitam seu aparecimento nesta população: a depressão, o uso excessivo de fármacos, problemas odontológicos, doenças que afetam diretamente a aceitação alimentar bem como o metabolismo e fatores sócio econômicos em geral.

Com o envelhecimento, diversas alterações fisiológicas ocorrem, contribuindo para uma diminuição da função orgânica do indivíduo: disfunções sensoriais, xerostomia, hipocloridria, diminuição da capacidade renal e a substituição da massa corpórea magra por gordura. Todos estes fatores, somados a uma má nutrição, levam o indivíduo idoso a um estado de saúde bastante frágil.

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Uma alimentação falha e desbalanceada, irá fornecer, não só, uma dieta pobre em calorias e proteínas, bem como carente em micronutrientes, fibras e alimentos funcionais e, a falta destes elementos, nem sempre é percebida. Os sinais clínicos apresentam baixa especificidade para identificação de problemas nutricionais no indivíduo idoso. Isto ocorre porque muitos sinais podem ter como causa alterações fisiológicas decorrentes do processo de envelhecimento ou, ainda, a instalação de algum processo patológico não-nutricional). A esta carência, quase que imperceptível, chamamos de “fome oculta”.

Seus efeitos, que aparecem com o passar do tempo, podem levar desde alterações na composição óssea pela carência de cálcio, até quadros de anorexia pelo baixo consumo de zinco, passando pelas hipovitaminoses. A investigação dos sinais de carência ou excesso, assim como dos indicadores de deficiência nutricional específica, deve fazer parte da avaliação do estado nutricional do idoso; entretanto, este exame necessita ser interpretado a partir da história clínica e em associação com indicadores bioquímicos, antropometria e/ou qualquer outro método apropriado.

Em suma, a desnutrição inaparente, é um estágio que antecede um comprometimento nutricional mais intenso, e se, percebido e tratado a tempo, poupará o idoso de quadros mais complexos e extremos, aos quais a desnutrição pode levar.

Referências:

  1. ANGELIS, R., Fome Oculta, editora Atheneu, 2000.
  2. OTERO, U.B.; ROZENFELD, S.; GADELHA, A. J. – Óbitos por desnutrição em idosos,São Paulo e Rio de Janeiro. Análise de séries temporais. 1980-1996. Revista Brasileira de epidemiologia,vol 4,n° 3. 191-205. [on line]
  3. KRAUSE, M., Alimentos, nutrição e dietoterapia, 9° ed., editora Roca, 1998.
  4. SAMPAIO, L. R. – Avaliação nutricional e envelhecimento. Revista de Nutrição, Campinas,17(4):507-514, out./dez., 2004.

Bruna Vasconcelos dos Santos – Nutricionista – CRN-5 6608

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